Comparação lado a lado

Qual regime fiscal cabe num freelancer ou pequena empresa?

Uma leitura em linguagem clara dos regimes fiscais mais usados em Portugal e no Brasil, contra as cinco perguntas que todo contabilista certificado ouve na primeira reunião. Sem jargão, sem tabelas em letra miúda.

Portugal

Simplificado vs IRC Geral

A escolha que a maior parte dos independentes e pequenas empresas enfrenta em PT — definida no onboarding, revisível a cada ano, com consequências operacionais muito diferentes.

Portugal
PortugalSimplificadoIRC Geral
Limite de volume de negócios anualAté €200k — tributação simplificada por cada fatura emitida.Sem teto artificial — obrigatório assim que se ultrapassa o limite do Simplificado e obrigatório a partir de €500k.
Tratamento de IVA / IRSIVA trimestral e retenção na fonte sobre a taxa simplificada; IRS mais leve.IRC cheio a 21%, com IVA autónomo, retenções de IRS e entrega do Modelo 22.
Carga de contabilidade organizadaLigeira — plataforma de faturação + Modelo 10 anual.P&L e balanço em software certificado, encerramentos trimestrais e Modelo 22 anual.
Risco de auditoria mais comumEnquadrar atividade na tabela errada do Simplificado (bens vs serviços).Preços de transferência e regras de thin cap — especialmente em grupos e operações com partes relacionadas.
Custo anual indicativo em contabilidadeBaixo — poucos entregáveis e trimestralidade fiscal simples.Médio-alto — IRC cheio, Modelo 22, licença de software certificado.
Escolha mais comum — Independentes abaixo de €200k/ano costumam escolher o Simplificado; acima desse limiar, o IRC Geral com taxa nominal de 21% compensa.

Brasil

Simples Nacional vs Lucro Presumido vs Lucro Real

Os três regimes que a maior parte dos freelancers, pequenos comércios e médias empresas compara no Brasil — cada um com seu teto de receita, sua carga tributária e sua carga de contabilidade.

Brasil
BrasilSimples NacionalLucro PresumidoLucro Real
Faixa de receita bruta anualAté cerca de R$4,8M/ano — DAS único mensal.Entre o teto do Simples e cerca de R$78M — escolhido quando o Simples deixa de compensar.Qualquer receita — obrigatório acima do teto do Simples e em setores regulados.
Tratamento de ICMS / ISS / PIS-CofinsDAS unificado cobre a maior parte dos tributos federais; ICMS e ISS ficam de fora.PIS/Cofins a 3,2% não cumulativo, ICMS/ISS por operação, IRPJ/CSLL sobre base presumida.PIS/Cofins não cumulativo a 9,25%, ICMS/ISS plenos e IRPJ/CSLL sobre lucro real.
Carga de contabilidade organizadaMenor — DEFIS anual e um único DAS por mês.Média — ICMS/ISS mensais, obrigações trimestrais, ECD/ECF anuais.Maior — ECD em software certificado, mensais e trimestrais, ECF anual.
Risco fiscal mais comumUltrapassar o teto do Simples sem trocar de regime a tempo.Diferença entre base presumida e margem real (sobretudo em serviços) e ICMS-ST mal calculado.Preços de transferência, retenções mal feitas e créditos pontuais que não fecham nas obrigações.
Custo anual indicativo em contabilidadeMais baixo — foco em DAS e fechamento anual único.Médio — ICMS/ISS extras e conciliação da base presumida.Mais alto — ECD mensal, fechamentos longos e suporte permanente de preços de transferência.
Escolha mais comum — A maior parte dos pequenos negócios abaixo do teto fica no Simples; acima dele, empresas de serviço costumam migrar para o Lucro Presumido, e operações mais industriais ou com margens voláteis para o Lucro Real.

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